Canudos de papel são piores
Fonte: Zap.aeiou
Prometiam salvar o ambiente do plástico. Afinal, ao longo de todo o ciclo de vida, poluem mais e são mais cancerígenas do que as de plástico comum.
As palhinhas de papel chegaram às mesas do mundo inteiro como a alternativa amiga do ambiente.
Mas um estudo encomendado pelo governo sul-coreano vem agora pôr essa ideia em causa: ao longo de todo o ciclo de vida, o papel pode fazer mais mal do que o plástico que veio substituir.
O estudo foi divulgado na quarta-feira pelo deputado da oposição Kim Wi-sang, do People Power Party.
Segundo o The Korea Herald, os investigadores compararam quatro materiais: plástico comum, papel, plástico biodegradável e polietileno de base biológica. Mediram o impacto de cada um em 16 categorias, da pegada de carbono à toxicidade, passando pelas partículas no ar e pela acidificação do ambiente.
Os resultados contrariam o senso comum.
As palhinhas de papel tiveram um impacto cancerígeno 6,33 vezes maior do que as de plástico comum, e um impacto de acidificação 2,04 vezes superior. O número do cancro não mede o perigo de usar a palhinha; mede o risco que vem das emissões em toda a vida do produto, da matéria-prima até ao lixo.
E o papel nem foi o pior.
O plástico biodegradável ficou acima do plástico comum em risco de cancro e em acidificação. O poliestireno de base biológica, feito de plantas mas quimicamente igual ao plástico e sem se degradar, foi o pior de todos: risco de cancro 16,18 vezes maior e o resultado mais negativo em 10 das 16 categorias.
No extremo oposto ficou, surpreendentemente, o plástico comum, com o menor impacto em 10 categorias, entre elas as alterações climáticas.
Há ainda um problema que nenhum material resolve. Reciclar palhinhas é quase impossível, seja de que material forem. Na Coreia do Sul, 73,6% acabam queimadas e as restantes 26,4% vão para aterro. Trocar papel por plástico, ou plástico por plantas, não muda este destino.
O deputado pediu ao governo que deite abaixo as regras “sem sentido”, que apenas trocam um material por outro, e defendeu medidas que ataquem o problema na raiz: fazer com que se usem menos descartáveis.
A Coreia do Sul está a anos a adiar decisões sobre as palhinhas. Em 2021, Seul anunciou a proibição das palhinhas de plástico, adiou-a em 2022 e, em 2023, suspendeu-a sem data. Em 2025, ficou só a meio-termo: palhinhas de plástico ou de papel, apenas a quem as pedir.
O resto do mundo também não fala a uma só voz. Taiwan proibiu as palhinhas de plástico em 2019, Hong Kong em 2024, e a União Europeia baniu-as em todos os Estados-membros em 2021, a apontar os consumidores para o papel e para alternativas reutilizáveis. O Japão preferiu obrigar o comércio a apresentar planos para gastar menos plástico.
E um pouco por todo o lado, a paciência dos consumidores com o papel foi-se esgotando: dura pouco e os ganhos ambientais são discutíveis.