É possível viver sem plástico?

Kelly Oakes
Fonte: BBC Future

Destacamos alguns trechos. Leia a matéria completa
…Hoje, a indústria de embalagens é de longe a maior usuária de plástico virgem.

Mas também usamos plástico de muitas maneiras mais duradouras: em nossos prédios, meios de transportes e outras infraestruturas vitais, sem mencionar nossos móveis, eletrodomésticos, TVs, tapetes, telefones, roupas e inúmeros outros objetos do cotidiano.

Tudo isso significa que um mundo totalmente sem plástico é irrealista.

Mas imaginar como nossas vidas mudariam se de repente perdêssemos o acesso ao plástico pode nos ajudar a descobrir como criar um relacionamento novo e mais sustentável com ele….

…O plástico na indústria de alimentos
Nosso sistema alimentar também desmoronaria rapidamente. Usamos embalagens para proteger os alimentos contra danos no transporte e para preservá-los por tempo suficiente até chegar às prateleiras dos supermercados, mas também para comunicação e marketing….

…Viver sem plástico também exigiria uma mudança na forma como nos vestimos. Em 2018, 62% das fibras têxteis produzidas no mundo eram sintéticas, feitas a partir de substâncias petroquímicas….

…A maioria dos microplásticos encontrados longe das costas é da década de 1990 ou anterior, sugerindo que pedaços maiores levam décadas para se decompor.

Isso significa que, se simplesmente parássemos de adicionar poluição plástica nova aos oceanos amanhã, os microplásticos continuariam a aumentar nas próximas décadas — mas removendo também os detritos existentes, poderíamos interromper este aumento….

…Os plásticos de base biológica podem ser feitos a partir de partes comestíveis de plantas, como açúcar ou milho, ou a partir de material vegetal impróprio para consumo, como bagaço, a polpa que sobra após a moagem da cana-de-açúcar.

Alguns plásticos de base biológica, mas não todos, são biodegradáveis ​​ou compostáveis.

A maioria desses plásticos ainda precisa, no entanto, de um processamento cuidadoso, muitas vezes em instalações de compostagem industrial, para garantir que não persistam no meio ambiente — não podemos simplesmente jogá-los no mar e esperar que corra tudo bem.

Mesmo se tivéssemos criado a infraestrutura para compostá-los, os plásticos de base biológica podem não ser melhores para o meio ambiente — pelo menos não imediatamente….

…Desmatar a terra para dar lugar às plantações impactaria os ecossistemas e a biodiversidade. Fertilizantes e pesticidas vêm acompanhados de emissões de carbono e podem poluir rios e lagos locais.

Um estudo mostrou que a substituição de plásticos feitos a partir de combustíveis fósseis por alternativas de base biológica pode exigir entre 300 e 1.650 bilhões de metros cúbicos de água (300-1.650 trilhões de litros) a cada ano, o que representa entre 3% e 18% da pegada hídrica média global.

As lavouras de alimentos podem acabar sendo usadas para produzir plástico, arriscando a segurança alimentar.

Uma vez que foram cultivadas, as culturas precisam de mais refino para atingir o equivalente biológico do petróleo bruto, o que requer energia, resultando em emissões de carbono….

…Embora as pesquisas sobre o tema sejam escassas, é provável que aditivos semelhantes aos usados ​​nos plásticos convencionais também seriam usados ​​em alternativas de base biológica, observa Iacovidou.

Isso porque as propriedades que os materiais precisam são as mesmas.

“O destino dos aditivos é o que mais me preocupa”, diz ela.

Se os plásticos de base biológica forem misturados com resíduos de alimentos e compostagem, o que estiver no plástico entra em nosso sistema alimentar.

É claro que substituir um material por outro não resolverá todos os nossos problemas com o plástico….

…Sem plástico, talvez tenhamos que mudar até a maneira como falamos sobre nós mesmos. “Consumidor é inerentemente um termo de uso único”, observa Walker. Em um mundo em que as embalagens são reutilizadas e reaproveitadas, e não jogadas fora, podemos nos tornar cidadãos.

Talvez também descobríssemos que, apesar de todo o bem genuíno que o plástico faz, nem todas as mudanças no estilo de vida que ele possibilitou foram positivas.

Se são as embalagens plásticas que nos permitem almoçar em movimento, e os dispositivos repletos ​​de plástico que nos deixam sempre contactados, sem ele nossa agenda pode precisar ser um pouco menos frenética.

“Se tudo isso desaparecesse, a vida desaceleraria”, diz Jambeck. “Seria tão ruim assim?”

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